PLURIBUS — A Distorção nos Braços de HaSatan – PARTE 1

A Árvore do Conhecimento: Quando o Bem e o Mal se Misturam

Antes de analisarmos o enredo de Pluribus, ou o modo como a cultura contemporânea molda a consciência humana, precisamos retornar ao ponto onde toda distorção começa: a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (etz ha-daʿat tov va-raʿ).

Sem compreender o que essa árvore é — biblicamente, espiritualmente e existencialmente — não conseguiremos discernir os frutos que hoje se espalham diante de nós, muitos deles com aparência de luz, mas nascidos de raízes antigas.

1. O que a Escritura diz — e o que ela não diz

O texto de Gênesis é surpreendentemente sóbrio. A árvore:

  • foi plantada pelo próprio Eterno (Gn 2:9);
  • estava no centro do jardim;
  • tinha fruto proibido;
  • concedia daʿat, conhecimento;
  • introduziu morte, vergonha e ruptura espiritual.

Nenhum detalhe é desperdiçado.
Nenhuma palavra é excessiva.

A Bíblia não explica a natureza do fruto, nem descreve suas propriedades.
O foco não é o objeto, mas o resultado espiritual.

2. O significado de daʿat: conhecimento que une

No hebraico bíblico, daʿat não é informação.
É conhecimento por união, conhecimento que liga, que interioriza, que transforma.

É o mesmo termo usado para intimidade:
“E Adão conheceu Eva…” (Gn 4:1)

Ou seja: o fruto não oferecia dados.
Ele oferecia experiência interna.
Ele inseria no ser humano uma realidade que antes não o habitava.

3. Tov e Ra: não “moralidade”, mas estados espirituais

Tov é tudo o que está ordenado conforme o projeto divino.
Ra é tudo o que se desconecta dessa ordem e se alia ao caos.

A árvore não era “do bem” e “do mal” no sentido ético moderno.
Era a árvore que misturava — no interior do ser humano — a luz e a escuridão.

Antes do fruto, o homem vivia na distinção clara entre verdade e falsidade.
Depois do fruto, passa a viver na confusão entre bem e mal, misturados dentro dele.

A queda é, essencialmente, confusão espiritual.

4. O movimento da serpente: autonomia sem luz

A serpente não promete poder.
Promete autonomia moral:

“Sereis como Elohim, conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3:5)

Em outras palavras:
“Vocês decidirão sozinhos o que é certo.”

A árvore, portanto, simboliza a decisão humana de ser sua própria referência, deslocando o Eterno do centro da consciência.
A partir daqui, o coração se torna o juiz — e o coração, sem luz, é enganoso.

5. Os “Frutos Antigos” no Éden: Nefilim e Anaquim

À luz dos padrões espirituais que temos estudado, a Árvore do Conhecimento se conecta principalmente ao movimento Nefilim, porque seu fruto introduz no ser humano aquilo que os Nefilim simbolizam: mistura proibida, quebra de limites, confusão de categorias espirituais e corrupção da consciência.

O homem deixa de viver na clareza entre verdade e falsidade e passa a carregar dentro de si a fusão entre tov e ra, luz e trevas — a própria definição de hibridização espiritual.

Mas há também um traço Anaquim nessa narrativa, pois ao assumir para si o direito de definir o bem e o mal, o ser humano estabelece uma autoridade distorcida, julgando como se estivesse no lugar do Criador.

Assim, a Árvore do Conhecimento reúne dois movimentos:

  • o nefílico, que mistura o que deveria permanecer distinto;
  • o anaquímico, que corrompe a autoridade moral.

E, como toda semente, tais movimentos logo produzirão frutos conforme a sua semelhança — frutos antigos com novos nomes, novas linguagens e novas embalagens.

6. O mecanismo espiritual permanece o mesmo

O que aconteceu no Éden não ficou no Éden.
É um padrão espiritual recorrente, replicado ao longo de toda a história humana.

Mistura.
Perda de limites.
Autonomia moral.
Juízo corrompido.
Confusão de consciência.

Esse é o ciclo.
Esse é o DNA da queda.

7. Como a cultura moderna reativa o Éden quebrado

A mesma dinâmica nefílica e anaquímica aparece hoje:

  • em séries como Pluribus, que dramatizam a hibridização e a redefinição de identidades;
  • em debates sobre “DNA espiritual”, que sugerem novos centros de autoridade;
  • na mídia, que mistura luz e trevas sob a mesma estética;
  • nas religiões e seitas que dissolvem fronteiras;
  • nas ideologias que convidam o indivíduo a ser seu próprio juiz;
  • e, sobretudo, na formação de um “pomar cultural” onde cada árvore promete esclarecimento, autonomia, poder e libertação — mas nenhuma foi plantada pelo Eterno.

Assim como no Éden, o problema não está na árvore visível, mas na consciência que se curva à mistura.

8. Caminhando para a próxima etapa

Para entender como Pluribus — e toda a cultura moderna — opera esse mesmo mecanismo em escala global, precisamos antes compreender como funcionam os frutos que surgem da mistura, os filhos dessa semente nefílica e anaquímica.

É isso que exploraremos na Parte 2.

Shalom aleichem.

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