A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal — O que realmente é?

PLURIBUS — A Distorção nos Braços de HaSatanNov 23, 2025


A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal — O que realmente é?

Um estudo bíblico com suporte da tradição judaica, sem ultrapassar os limites das Escrituras

1. Onde tudo começa: o texto bíblico

A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (em hebraico, etz ha-daʿat tov va-raʿ) aparece em Gênesis 2–3.

As informações que a própria Bíblia fornece são poucas, mas extremamente específicas:

  1. A árvore foi plantada por Deus (Gn 2:9)
  2. Estava no meio do jardim, junto da Árvore da Vida (Gn 2:9)
  3. Seu fruto era proibido para Adão (Gn 2:17)
  4. Comer traria morte (Gn 2:17)
  5. Concedia conhecimento de “tov” e “ra” (Gn 3:5)
  6. Trouxe consciência, vergonha e ruptura espiritual (Gn 3:7–10)
  7. O ser humano passou a discernir de forma corrompida (Gn 3:22)

Tudo que entendemos deve partir daqui.


2. A palavra-chave: daʿat (דעת) — Conhecimento

No hebraico bíblico, daʿat não é mero “intelecto”.
Não significa “informação”.

Daʿat significa experiência existencial, ligação interna, intimidade.

É o mesmo termo usado para relação sexual:

“Adão conheceu (yada) Eva…”
(Gn 4:1)

Isso é conhecimento por união, não por teoria.

A árvore, então, não tratava de “aprender sobre o bem e o mal”, mas de experimentar o bem e o mal como realidade interna.


3. O que significa “tov” e “ra” nesse contexto?

No hebraico bíblico:

  • Tov = o que é conforme a ordem divina
  • Ra = o que é fora da ordem divina, caótico, destrutivo

E mais:

Na literatura judaica clássica, tov e ra são associados a:

  • Tov → inclinação boa (yetzer ha-tov)
  • Ra → inclinação má (yetzer ha-ra)

Mas isso não substitui o texto bíblico — apenas ajuda a explicitar seu sentido.

A árvore, então, introduzia ao ser humano a experiência interior da inclinação para o mal, algo que antes ele não possuía.


4. O problema não era o “conhecimento”, mas o tipo de autoridade

A serpente promete (Gn 3:5):

“…vocês serão como Elohim, conhecedores do bem e do mal.”

O significado, na leitura judaica e bíblica, não é “serão sábios”, mas:

Vocês decidirão por si mesmos o que é bem e o que é mal.
→ Vocês serão sua própria referência moral.

Ou seja:

A árvore simboliza usurpar o papel de Deus como definidor do bem e do mal.


5. O fruto proibido: a independência moral

O fruto produz:

  • Autonomia sem maturidade
  • Julgamento próprio
  • Subjetivismo moral
  • “Eu defino o que Deus deveria ter dito”
  • “Eu decido o que é certo para mim”

É a raiz da idolatria, porque transforma o próprio “eu” em autoridade máxima.

Etz ha-daʿat não é uma árvore má.
Foi Deus quem a criou.

Mas:

É uma árvore que Adão não tinha capacidade de utilizar — ainda.
É conhecimento que só poderia ser dado por Deus, no tempo certo.

A desobediência “acelerou” algo para o qual o homem não estava preparado.


6. O que a tradição judaica traz (sem fugir da Bíblia)

a) O Midrash diz:

A árvore representa mistura — a fusão do que deveria permanecer separado.

Misturar o bem com o mal = confusão espiritual.

b) O Zohar diz:

A árvore ativa no homem a capacidade de fazer julgamentos sem luz.

O homem passa a interpretar o mundo pela própria mente, não pela Palavra.

c) Rambam (Maimônides):

Antes do pecado:

  • O homem vivia no eixo verdade e falsidade, não bem e mal.
  • Bem e mal são percepções humanas, não categorias absolutas.

Maimônides ensina:

Comer da árvore deslocou a consciência da verdade objetiva para a moral subjetiva.

E isso bate perfeitamente com o texto bíblico.


7. Então, o que é a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal?

Podemos sintetizar assim:

A árvore é o símbolo bíblico da tentativa humana de definir o bem e o mal por si mesmo, sem submissão ao Criador.

E ela gera:

  • Autonomia moral sem sabedoria
  • Julgamento próprio
  • Subjetivismo
  • Confusão entre luz e trevas
  • Perda da inocência
  • Surgimento do yetzer hara interno
  • Ruptura da comunhão com Deus
  • Percepção distorcida da realidade

À luz dos “Frutos Antigos”, a Árvore do Conhecimento se aproxima principalmente do padrão Nefilim, porque seu fruto introduz no ser humano aquilo que os Nefilim simbolizam: mistura, quebra de limites, confusão entre categorias espirituais e corrupção da consciência. Ao comer, o homem deixa de viver na clareza entre verdade e falsidade e passa a carregar dentro de si a fusão entre tov e ra, luz e trevas — exatamente o tipo de hibridização que caracteriza a queda. Porém, há também um traço Anaquim nessa narrativa, pois ao assumir para si o direito de definir o bem e o mal, o ser humano cria uma autoridade distorcida, julgando como se estivesse no lugar do Eterno. Assim, a Árvore do Conhecimento reúne dois movimentos: o nefílico, que mistura o que deveria permanecer distinto, e o anaquímico, que perverte a autoridade moral. Esses dois elementos — mistura interna e juízo corrompido — formam o cerne da tentação no Éden e permanecem, até hoje, como a raiz de toda distorção espiritual. E, como toda semente, esses padrões logo frutificam, produzindo outros frutos conforme a sua própria semelhança.


Série:

PLURIBUS — A Distorção nos Braços de HaSatan

Parte 1 — A Árvore do Conhecimento: Quando o Bem e o Mal se Misturam

Nesta série de estudos iremos mostrar:

  1. A natureza da árvore e seu significado espiritual
  2. Como a serpente distorce o discernimento
  3. Como a cultura moderna — por meio de séries como Pluribus, narrativas sobre DNA, mídia, religiões, seitas, ideologias e os próprios “frutos antigos” reembalados — reproduz exatamente o mesmo mecanismo
  4. Como pessoas que pensam estar “na luz” são enganadas
  5. Como discernir a árvore certa
  6. Como escolher apenas aquilo que vem do PARDES do Eterno

Shalom aleichem!

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