O Pomar da Cultura: Pluribus, DNA e a Falsa Unidade que Imita o Echad
Shalom!
Depois de compreendermos a Árvore do Conhecimento e os “filhos da mistura” que surgem dela, entramos agora no pomar mais sedutor do nosso tempo: o pomar cultural, onde cada árvore tem linguagem própria, estética própria e propósito próprio — mas nem sempre origem no Eterno.
Entre essas árvores, poucas são tão sofisticadas quanto a narrativa construída em Pluribus, de Vince Gilligan.
É sobre essa sutileza que precisamos falar.
1. Quando a arte tenta reescrever a identidade humana
Pluribus não é apenas ficção científica.
É um comentário espiritual sobre unidade, origem e identidade — temas profundamente bíblicos.
A série usa o DNA como símbolo, e isso não é trivial:
- DNA = código de origem
- DNA = identidade profunda
- DNA = estrutura invisível que define a forma da vida
É exatamente aqui que a narrativa insere, de modo oculto, padrões que remetem ao Tetragrama YHWH — não como reverência, mas como recurso simbólico para atribuir “sacralidade” à união de consciências que a série apresenta.
Trata-se de uma apropriação estética da ideia de divindade, não de uma manifestação da presença do Eterno.
2. A falsa unidade: quando “todos se tornam um” — mas sem Deus
Na série, quase toda a humanidade é absorvida em uma única consciência coletiva.
É uma unidade total: todos pensam juntos, sentem juntos, concordam juntos.
Exceto doze que permanecem de fora.
Esse “um”, porém, não é Echad.
Por quê?
Echad bíblico é unidade na distinção.
Echad é:
- unidade sem dissolução;
- comunhão sem fusão;
- harmonia sem apagar a identidade;
- muitos que permanecem distintos e íntegros — mas conectados pela verdade do Eterno.
Isso é o que vemos em Israel, na Torah, nos discípulos, na manifestação unificada do Eterno.
Pluribus apresenta o contrário:
- uma unidade sem santidade,
- sem distinção,
- sem identidade restaurada,
- sem verdade,
- sem o Eterno.
É mistura nefílica — fusão, não unidade.
É autoridade anaquímica — liderança moral distorcida.
É Echad sem Deus, o que significa: não é Echad.
3. O problema não é a unidade — é o tipo de unidade
A unidade coletiva de Pluribus produz:
- consenso automático,
- pensamento único,
- comportamento previsível,
- obediência não ao Eterno, mas às vontades de um pequeno grupo.
Eles “concordam” porque não têm mais distinção interna.
Eles “agem juntos” porque não possuem mais individualidade restaurada.
Não há tikun.
Não há santidade.
Não há separação.
Não há luz.
Só há mistura, a mesma mistura germinada no Éden.
O fruto é coletivo, mas a raiz é nefílica.
4. Os doze que restam — liderança distorcida
Na narrativa, apenas 12 permanecem fora da fusão.
Isso ecoa padrões bíblicos:
- as 12 tribos,
- os 12 discípulos,
- fundamentos de liderança e testemunho.
Mas aqui, a simbologia é invertida.
Os 12 não são preservados para conduzir o povo ao Eterno,
mas para serem servidos pela consciência coletiva — conforme a vontade deles.
Isso revela:
- autoridade sem santidade (Anaquim),
- liderança sem obediência ao Eterno,
- poder baseado na fusão, não na verdade.
Eles são líderes de um corpo que não é corpo — é massa.
São cabeças de um organismo que perdeu a distinção.
É uma paródia espiritual.
5. O Tetragrama no DNA — uma apropriação simbólica
A série oculta padrões que remetem ao Nome divino, sugerindo que aquela unidade tem:
- “sagrado”,
- “propósito”,
- “destino”,
- “origem superior”.
Mas isso é o mesmo mecanismo do Éden:
atribuir aparência de divino ao que não vem do Eterno.
A serpente sempre trabalhou assim:
- aparência de sabedoria,
- aparência de luz,
- aparência de unidade,
- aparência de revelação.
Mas frutos revelam árvores.
E a árvore que Pluribus apresenta não produz:
- obediência,
- santidade,
- discernimento,
- vida,
- temor,
- convicção,
- tikun.
Produz apenas concordância — um eco da Árvore do Conhecimento.
6. Pluribus como parábola moderna do Éden
A série mostra, com extrema inteligência narrativa, a mesma dinâmica da queda:
- mistura (nefílica): fusão de consciências;
- falsa autoridade (anaquímica): liderança sem Deus;
- esvaziamento da individualidade (refaítica);
- consciência coletiva movida por emoção (zuzita);
- sensação espiritual sem santidade (sheidim).
É o Éden reencenado com linguagem científica.
É a Árvore do Conhecimento dramatizada para a era digital.
É a serpente vestida de tecnologia.
7. O que aprendemos com isso
Não é preciso que a serpente nos ofereça hoje um fruto visível.
Basta que ela nos ofereça:
- uma narrativa,
- uma estética,
- uma sensação de unidade,
- uma promessa de identidade,
- uma ideia de “DNA espiritual”,
- uma moralidade coletiva,
- uma espiritualidade sem distinção,
- e um “Echad” sem o Eterno.
A cultura moderna — e Pluribus é apenas um exemplo — está cheia de árvores do conhecimento, cuidadosamente embelezadas, mas nascidas da mistura e regadas pela autonomia humana.
8. Caminhando para a Parte 4
Na próxima parte, veremos como essa falsa unidade se infiltra não só na arte, mas na espiritualidade contemporânea, infiltrando-se em:
- movimentos religiosos,
- seitas,
- ideologias,
- discursos motivacionais,
- linguagens que se apresentam como “luz”, mas nascem da mistura.
Será o estudo:
PARTE 4 — A Unidade Sem Santidade: Quando o Elohim é Substituído pelo Coletivo
Shalom aleichem.
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